A pele e a tinta

Vocês já notaram como algumas tatuagens apresentam um resultado diferente em pessoas diferentes mesmo quando são usadas as mesmas cores, as mesmas máquinas e o desenho é feito no mesmo lugar? Isso acontece porque cada um tem um tipo de pele e cada organismo funciona em um ritmo específico.  Assim, mesmo quando o procedimento é feito da maneira mais adequada possível, pelo melhor tatuador, pode ser que o resultado não seja tão bom ou que fique diferente do esperado pelo cliente.

Em locais como os pés, as mãos, os nós dos dedos, dificilmente a tatuagem se manterá vistosa por um longo período de tempo, pois são partes do nosso corpo em constante atrito com outras superfícies e é inevitável que ocorra desgaste e renovação da pele com certa constância. Chega a ser até curioso o processo de “desaparecimento” de uma tattoo feita na sola do pé ou na palma da mão!

A aplicação da tinta é feita na derme, parte mais estável da pele, fixando-se especificamente na camada conjuntiva, onde o pigmento permanece retido pelas fibras de colágeno. Os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do corpo, cercam a região em que está a tatuagem, mas não conseguem expelir completamente a tinta, apesar de parte dela ser eliminada através do sistema linfático. Em geral, a tinta em si não participa de reações químicas com substâncias presentes em nosso organismo, nem é solúvel, o que faz com que ela não “escorra” para outras regiões do corpo.

No limite entre a camada epitelial (formada por células vivas em crescimento e onde se encontram os melanócitos) e a camada conjuntiva (em que se encontram os vasos sanguíneos, células de gordura, terminações nervosas responsáveis pelas sensações como dor, calor, frio, além dos fibrócitos, as células que produzem o fibroblasto), as células de defesa, chamadas de neutrófilos e macrófagos, fazem o processo de fagocitose, que seria responsável pela manutenção da tinta na pele. Explicando: a fagocitose é o englobamento e a digestão de partículas sólidas e microorganismos  pelas células de nosso sistema imunológico; as células englobam o pigmento e ficam paradas no lugar, e quando morrem, as novas células que as repõem englobam novamente o pigmento. Se, por algum motivo, a reposição das células falhar ou demorar a ocorrer, o pigmento pode se espalhar – algo que acontece naturalmente à medida que envelhecemos.

A tinta que vemos sair de nossa pele quando retiramos o curativo pela primeira vez é a que ficou na camada córnea, a mais externa da pele, em que se encontram células mortas e queratinizadas. A “casquinha” que vemos durante o processo de cicatrização vem da camada epitelial, cujas células demoram em torno de 10 dias para se regenerarem. A coceira é um sinal de que a pele está se regenerando, mas não podemos coçar a tatuagem por correr o risco de ferirmos o tecido conjuntivo. A total estabilização desta camada conjuntiva pode demorar até 3 meses!

Vejo muitas pessoas perguntando a respeito dessa “casca” que é formada sobre a tatuagem, assustadas com o que vêem, mas não podemos nos esquecer de a tatuagem é uma ferida e devemos tratá-la como tal, ou seja, não devemos retirá-la e, ainda, temos de tomar cuidado durante o banho, pois se o jato da ducha é muito forte e incide diretamente sobre a tattoo, a casca pode sair prematuramente.

Pessoas com peles mais escuras sintetizam maior quantidade de melanina, cuja principal função é a pigmentação e a proteção da pele contra a radiação solar. A melanina é também responsável por escurecer a tatuagem. Quanto mais nos expomos ao sol, mais a melanina age. Além do mais, os raios ultravioletas do sol podem desbotar tintas coloridas, principalmente aquelas à base de cobalto (tons de azul). Os raios agem bem menos, no entanto, sobre o nanquim, usado para fazer a cor preta.

Fontes: SuperInteressante; It Some Girls; Color Up Tattoo; Tatuaria São Paulo; A Grande Diferença.

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